<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627</id><updated>2011-04-21T18:16:04.698-07:00</updated><title type='text'>Pequenos Holocaustos</title><subtitle type='html'>Holocausto, s. m. sacrifício em que a vitima
era totalmente consumida pelo fogo; expiação;
abdicação de vontade própria para satisfazer 
a de outrém</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-5327056909204808697</id><published>2007-03-26T02:54:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T02:55:58.518-07:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 14</title><content type='html'>Não conseguia respirar, um nó na garganta, um sufoco que lhe parecia o fim do mundo perfeito. As árvores outrora verdes ganhavam tons púrpura e vermelho.&lt;br /&gt;Baixou-se mas mesmo assim o ar recusava-se a entrar nos pulmões, os trovões ouviam-se antes dos relâmpagos, o seu mundo estava todo ao contrário.&lt;br /&gt;Pensou que nunca tinha imaginado que uma só acção pudesse destruir tudo. Como se o mundo estivesse preso por um fio frágil que a qualquer momento pode ser cortado.&lt;br /&gt;A tentação, a tentação, a estranha atracção pelo abismo.&lt;br /&gt;Levantou-se a custo apoiado à arvore, estava quente quase queimava. O nó na garganta, conseguiu respirar mas o ar tinha um sabor diferente.&lt;br /&gt;Reparou que estava nu, sempre o tinha estado mas agora era estranhamente evidente, como se o sufoco lhe tivesse limpo o olhar, pela primeira vez teve medo.&lt;br /&gt;A seu lado Eva encolheu os ombros e esboçou um sorriso que mais lhe pareceu um esgar.&lt;br /&gt;Ficou com a sensação que a partir daquele momento é que realmente tudo iria começar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-5327056909204808697?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/5327056909204808697/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=5327056909204808697' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/5327056909204808697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/5327056909204808697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/03/pequenos-holocaustos-14.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 14'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-7273726042097463353</id><published>2007-03-08T02:55:00.001-08:00</published><updated>2007-03-08T02:55:55.360-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 12</title><content type='html'>Já tinha levado quase tudo, as marcas que os quatro pés da estante deixaram no soalho de madeira pareciam pegadas mais escuras na areia molhada da praia à espera que o mar as levasse.&lt;br /&gt;Levara a estante, ficaram apenas dois livros, caídos de borco no chão como dois suicidas esquecidos por debaixo de um viaduto.&lt;br /&gt;Ela estava deitada na cama, o lençol cobria-lhe o corpo nu com uma leveza só igualável pela penumbra que aconchegava a cidade do outro lado da janela. Os néons lá fora de tão brilhantes pareciam mortiços.&lt;br /&gt;Ele sentado na cama fumava um cigarro, o fumo saia sem pressa e quase se recusava a subir. Olhou-a e acariciou-lhe a coxa, o rosto dela contemplava placidamente a janela, os olhos verdes, o cabelo longo e loiro, perfeita, como sempre o tinha sido.&lt;br /&gt;Ele levantou-se e colocou as mãos no parapeito, à excepção das luzes e das silhuetas dos edifícios nada existia lá fora.&lt;br /&gt;Voltou-se e olhou-a de novo, era tão bonita. Levara quase tudo, deixara apenas a cama e os dois livros, voltara depois para levar mais coisas, ele não deixou, e achou-a bonita, até mais bonita do que antes apesar de já estar morta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-7273726042097463353?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/7273726042097463353/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=7273726042097463353' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/7273726042097463353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/7273726042097463353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/03/pequenos-holocaustos-12.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 12'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-9018387655111164813</id><published>2007-02-15T08:02:00.000-08:00</published><updated>2007-02-15T08:08:29.723-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 11</title><content type='html'>Quem te avisa teu amigo é.&lt;br /&gt;Descia a rua, o calor no peito, o suor frio na testa.&lt;br /&gt;Descia a rua a correr, os braços a balançar a tentar apanhar um equilíbrio que já não conseguia ter.&lt;br /&gt;Quem te avisa teu amigo é, dissera-lhe o pai vezes sem conta encostado ao umbral.&lt;br /&gt;Corria pela rua, a mão aberta na ponta do braço estendido à sua frente, os carros voavam em sentido contrário, tudo lhe parecia rápido demais.&lt;br /&gt;Quem te avisa teu amigo é, ouvira dizer de cada vez que regressara a casa, à barraca, para levar mais alguma coisa, alguma coisa que depois se derretia para entrar nas suas veias, alívio, o alívio é sempre uma merda só porque está condenado a acabar.&lt;br /&gt;O semáforo estava vermelho mas pisou todos os travessões brancos da passadeira e passou para o outro lado, estava sem fôlego.&lt;br /&gt;Parou, sentou-se no chão e depois deitou-se, a madeira do cabo da faca furara-lhe o bolso da camisa.&lt;br /&gt;Quem te avisa teu amigo é.&lt;br /&gt;Avisei-te, a mão do pai no seu coração.&lt;br /&gt;Deitado na calçada agarrou na madeira e puxou, sabia que não o devia fazer mas puxou.&lt;br /&gt;Deixou fluir o alívio, o alívio afinal às vezes pode ser eterno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-9018387655111164813?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/9018387655111164813/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=9018387655111164813' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/9018387655111164813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/9018387655111164813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/02/pequenos-holocaustos-11.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 11'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-117026163922592656</id><published>2007-01-31T08:38:00.000-08:00</published><updated>2007-01-31T08:40:39.230-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 10</title><content type='html'>Os dedos estavam esticados na sua direcção.&lt;br /&gt;Sentia-se quente e frio ao mesmo tempo. Eram tantas as bocas abertas na sua direcção, eram tantos os risos que ele sentia-se pequenino como um grão de areia no mar.&lt;br /&gt;Mas não era, era ele o mar. Era ele o centro das atenções, o centro de tudo.&lt;br /&gt;Sentia-se quente e frio ao mesmo tempo e apesar de não o pensar sabia que tudo iria ser diferente depois daquilo.&lt;br /&gt;Uma voz alterou-se e tentou por ordem na balbúrdia, a cacofonia quase desapareceu.&lt;br /&gt;Ouviam-se agora risos descompassados.&lt;br /&gt;Mas os dedos continuavam a apontar e os olhos, sentia-se desaparecer em todos os pares de olhos que o cercavam.&lt;br /&gt;Remexeu-se na cadeira, um desconforto húmido. Algumas gotas desfizeram-se no soalho.&lt;br /&gt;A professora voltou a gritar e veio o silêncio.&lt;br /&gt;Sentiu-se quente e frio ao mesmo tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-117026163922592656?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/117026163922592656/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=117026163922592656' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/117026163922592656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/117026163922592656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-10.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 10'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116954809715102465</id><published>2007-01-23T02:26:00.000-08:00</published><updated>2007-04-20T07:54:41.992-07:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 9</title><content type='html'>Tocaram à campainha.&lt;br /&gt;Ele aproximou-se da porta e entreabriu-a, uma mão passou cinco caixas e a outra um saco com três garrafas. Passou a nota e não recebeu troco. Ouviu uns risinhos e a palavra “foda-se” no corredor enquanto fechava a porta.&lt;br /&gt;A sala não era grande, sentou-se muito devagar na mesa de mármore, era a única peça de mobiliário onde se podia sentar. Os dois lençóis que o vestiam pousaram no chão.&lt;br /&gt;Abriu uma caixa e começou a comer a pizza.&lt;br /&gt;Já não saia de casa há dois anos e pensou que aquelas caixas e aquelas garrafas não teriam o mesmo destino que os outros lixos. Não passaria horas a recortar tudo com uma tesoura e a colocar em sacos de plástico. Ocupavam menos espaço no quarto cheio de sacos, cheio de outros lixos.&lt;br /&gt;Abriu uma garrafa e bebeu-a. Um litro e meio. Pousou a caixa de comprimidos ao seu lado na mesa. Da outra vez tinha utilizado apenas uma lamela e dormira dois dias. Tem tudo a ver com a massa corporal.&lt;br /&gt;Agora era uma caixa e não iria falhar. Abriu a segunda caixa e comeu ao mesmo tempo que deixava cair os comprimidos um a um na terceira garrafa.&lt;br /&gt;Sentiu uma cólica mas ignorou-a. Estava perto da casa de banho mas agora já não era necessário. Não se iria levantar para passar uma hora sentado na banheira, a sanita partira-a há um ano. É tudo uma questão de massa corporal.&lt;br /&gt;Comeu as outras pizzas enquanto bebia a segunda garrafa. Os comprimidos desapareceram todos.&lt;br /&gt;Bebeu a terceira garrafa com o sorriso nos lábios. Quando os bombeiros chegassem gostaria de ver como o levariam dali. Eram quase trezentos quilos e pela porta não podia sair. Há quase um ano que era pequena demais.&lt;br /&gt;É tudo uma questão de massa corporal, mesmo para se ter paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116954809715102465?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116954809715102465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116954809715102465' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116954809715102465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116954809715102465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-9.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 9'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116885554916729669</id><published>2007-01-15T01:52:00.000-08:00</published><updated>2007-01-15T02:05:49.633-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 8</title><content type='html'>Estava a tremer de raiva.&lt;br /&gt;Em cima da mesa ao lado da torradeira estava uma gota de sangue vermelho ao lado de uma unha, vermelha também.&lt;br /&gt;Logo hoje a empregada não aparecera, um telefonema, e aquela voz arrussicada a dizer que a filha estava doente. Logo hoje que ela tinha combinado ir com as amigas à exposição. Logo hoje que ia conhecer aquela pintora que vivia em Inglaterra.&lt;br /&gt;Maldita ucraniana, aquela dentista que lhe limpava a casa e cozinhava e lhe fazia as torradas de manhã.&lt;br /&gt;Telefonara a dizer que a filha estava doente e ela tentara fazer as torradas sozinha. Uma delas ficara lá dentro presa a fumegar e ao tentar tira-la queimara o dedo, cortara-se e partira a unha. Uma das dez unhas perfeitas que tinha feito no dia anterior para estar tudo perfeito na exposição. &lt;br /&gt;Soluçou e sentiu uma lágrima a derreter a maquilhagem. Cerrou os dentes e gritou.&lt;br /&gt;Tudo perfeito, tudo estragado. Já não iria chegar a tempo à exposição, já não ia conhecer a pintora famosa, tudo por causa de uma torrada, tudo por causa de uma empregada que telefonara a dizer que a filha estava doente.&lt;br /&gt;Pegou no telemóvel e disse, estás despedida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116885554916729669?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116885554916729669/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116885554916729669' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116885554916729669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116885554916729669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-8.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 8'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116859673077070316</id><published>2007-01-12T02:11:00.000-08:00</published><updated>2007-01-12T02:12:10.776-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 7</title><content type='html'>Estava sentado dentro do seu carro no local onde costumava estacionar sempre. Saíra à pressa e esquecera-se do casaco no apartamento. Na rua começavam a juntar-se pessoas, muitas pessoas. Gritavam mas ele não ouvia pois o rádio tinha o volume no máximo.&lt;br /&gt;Descera as escadas a correr e já com gente atrás dele. Para trás ficara o casaco e o rosto dela, assustado.&lt;br /&gt;As pessoas começaram a aproximar-se e a bater no carro, caiu a primeira pedra e o carro começou a balançar, um homem subiu para cima do tejadilho e começou a saltar.&lt;br /&gt;O casaco em cima da cama e aquele rosto pequenino que o arrastava até ali uma vez por semana. Duas notas, um sorriso de criança. Era mais do que amor aquilo que sentia.&lt;br /&gt;O vidro de trás do carro estalou, entrou o frio, entraram os gritos das pessoas.&lt;br /&gt;O casaco em cima da cama e a chave do carro lá dentro.&lt;br /&gt;A mãe da menina a entrar no quarto aos gritos. A correria pela escada. As pessoas, cada vez mais pessoas.&lt;br /&gt;O carro ficara aberto, ficava sempre aberto, ele entrara e trancara-se. Ligara o rádio e agora o vidro de trás estava partido e as pessoas gritavam cada vez mais.&lt;br /&gt;Chamavam-no porco.&lt;br /&gt;E o casaco em cima da cama no apartamento, alheio a tudo. As chaves no bolso.&lt;br /&gt;Viu paus nas mãos das pessoas. Partiram o vidro e pequenos estilhaços de sílica saltaram para todo o lado.&lt;br /&gt;Olhou para cima e viu um rosto de criança colado ao vidro na janela do primeiro andar. Sentiu muitas mãos a agarra-lo e a puxa-lo para cima da calçada.&lt;br /&gt;Fechou os olhos com força.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116859673077070316?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116859673077070316/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116859673077070316' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116859673077070316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116859673077070316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-7.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 7'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116825151992121702</id><published>2007-01-08T02:17:00.000-08:00</published><updated>2007-01-08T02:20:40.016-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS  6</title><content type='html'>Era bonito o sorriso dela. &lt;br /&gt;A forma leve e descontraída como inclinava ligeiramente a cabeça para a frente, uma espécie de pudor, como aqueles pudores que só tem quem sorri com aquela beleza e sinceridade.&lt;br /&gt;Era bonito o sorriso dela. &lt;br /&gt;E fora esse mesmo sorriso que o agarrara pela mão e o fizera perder-se há muito tempo atrás. &lt;br /&gt;Amava aquele sorriso como quem ama deus. Mesmo através do vidro do carro, através das gotículas de chuva que reluziam ao sol, aquele sorriso era seu, o rosto dela era apenas o meio, o hospedeiro, a tela.&lt;br /&gt;Mas naquele dia de chuva e sol o sorriso dela estava longe. Do outro lado do parque de estacionamento, num carro que nunca vira, sorrindo para o rosto de um desconhecido.&lt;br /&gt;Era bonito o sorriso dela mas ela não sorria para ele.&lt;br /&gt;Os olhos do outro homem brilhavam e ele viu-se espelhado neles, um espelho do passado, um reflexo do dia em que se apaixonara por ela.&lt;br /&gt;Ela sorria ainda, e no seu sorriso ele viu o sorriso da criança que deixara a escola horas antes. Estremeceu e sentiu o peso da pistola que estava deitada no seu colo. A sua mão abriu a porta do carro e deixou entrar a chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116825151992121702?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116825151992121702/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116825151992121702' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116825151992121702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116825151992121702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-6.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS  6'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116790940350914056</id><published>2007-01-04T03:16:00.000-08:00</published><updated>2007-01-04T03:16:43.516-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 5</title><content type='html'>Estava mesmo entre os seus olhos e era lindo. &lt;br /&gt;Os carros passavam depressa nas suas costas arrastando um vento frio. O barulho e o cheiro da cidade.&lt;br /&gt;Os seus olhos fixos nos seus olhos reflectidos na montra e logo atrás lá estava ele, lindo.&lt;br /&gt;Era azul e tinha os pneus pretos, queria tanto ter aquele carro.&lt;br /&gt;Queria ter o carro para fugir dali para fora como fugiam todas as pessoas de todos os carros que nunca paravam de passar.&lt;br /&gt;Sentiu-se puxado, mas resistiu. Os seus pés estavam presos aos seus olhos que estavam presos ao carrinho azul do outro lado da montra transparente.&lt;br /&gt;Tocou o vidro, e no frio da sílica desenhou os contornos do brinquedo. Sentiu os contornos na lisura, sorriu.&lt;br /&gt;Sentiu-se puxado de novo e olhou para cima. Os olhos da irmã olharam-no de alto a baixo. Um “vamos embora” sem palavras.&lt;br /&gt;A mãozinha suja da irmã passou pelo nariz deixando um rasto de humidade. Outro puxão.&lt;br /&gt;Começaram a andar, eram pequenos entre a gente grande que os olhava mas não parava.&lt;br /&gt;Tinha frio mas começou a andar atrás da irmã que de mão com a palma virada para o céu ia pedindo umas moedas.&lt;br /&gt;Um dia iria ter um carro azul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116790940350914056?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116790940350914056/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116790940350914056' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116790940350914056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116790940350914056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-5.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 5'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116777953144222070</id><published>2007-01-02T15:11:00.000-08:00</published><updated>2007-01-02T15:12:11.443-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 4</title><content type='html'>Vasculhou a carteira. Estava com pressa, aquela pressa que nos invade quando algo mais forte nos empurra para a frente.&lt;br /&gt;Era assim que se sentia, para a frente, não se pode parar para pensar, para a frente. Os dedos tremiam, deslizavam no couro da carteira, pressa, para a frente.&lt;br /&gt;Bilhete de identidade, numero de contribuinte, a foto da mulher e do neto, um talão de multibanco, cartão de eleitor, papéis. Uma nota. Dinheiro.&lt;br /&gt;A nota de dez euros parecia seda na polpa dos dedos, soube-lhe bem, por um segundo esqueceu-se que estava com pressa.&lt;br /&gt;Dez euros e uns trocos, respirou fundo e olhou em volta, eram dez horas da manhã, mas não se via ninguém. Um pardal pousou perto, olhou-o e foi-se embora logo de seguida, também devia estar com pressa. Pressa. Hoje em dia toda a gente tem pressa.&lt;br /&gt;Apertou a nota com força na mão, parecia seda. Deixou cair a carteira no chão e olhou pela última vez para o velho caído a seu lado. Não se mexia.&lt;br /&gt;O sangue já tinha parado de correr do nariz e tinha a mão fechada. A mesma que minutos antes lutara pela carteira que agora jazia a seu lado.&lt;br /&gt;O velho tinha os olhos abertos, mas não se mexia, se calhar estava morto.&lt;br /&gt;Começou a correr, estava com pressa, estava com pressa, mas agora sentia a seda da nota bem fechada na sua mão, e isso sabia-lhe bem.&lt;br /&gt;Estava com pressa, hoje em dia toda a gente está com pressa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116777953144222070?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116777953144222070/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116777953144222070' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116777953144222070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116777953144222070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-4.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 4'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116777947800637521</id><published>2007-01-02T15:09:00.000-08:00</published><updated>2007-01-02T15:11:18.013-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 3</title><content type='html'>A última coisa de que se lembrava era dos olhos do cão, parecia um lobo.&lt;br /&gt;Recordou-se que nascera há vinte e três anos, na sua mente formou-se uma imagem, teria seis anos, caíra e tinha feito um golpe no joelho, doera muito e chorara no ombro quente do seu pai.&lt;br /&gt;Agora não sentia dor, mas queria chorar e não conseguia, apenas aqueles olhos cinzentos a brilhar na noite, um cão que parecia um lobo.&lt;br /&gt;No tablier o rádio deixava escapar a medo estática que parecia um sussurro, além disso apenas o seu pensamento quebrava o silêncio da noite. Estava escuro mas conseguia ver as sombras das árvores.&lt;br /&gt;Os gritos da discussão uma hora antes com o seu pai, ecoaram de novo, o olhar triste que deixou para trás, quando acelerou pela estrada, fundiu-se no olhar que o tinha levado para ali, o olhar de um cão que parecia um lobo.&lt;br /&gt;As luzes azuis e vermelhas apareciam de todos os lados, fustigavam as árvores, e pela primeira vez viu os ferros retorcidos e o vermelho que lhe aquecia o peito.&lt;br /&gt;Na estática que saia do rádio surgiram umas vozes sumidas, alguém disse “este já não se safa”. O torpor fê-lo fechar os olhos pela primeira vez mas continuou a ver os olhos cinzentos e frios de um cão que parecia um lobo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116777947800637521?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116777947800637521/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116777947800637521' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116777947800637521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116777947800637521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2007/01/pequenos-holocaustos-3.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 3'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116639526512230494</id><published>2006-12-17T14:40:00.000-08:00</published><updated>2006-12-17T14:41:05.126-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 2</title><content type='html'>Estava deitada na cama a ver a televisão sem som. Alguém ria de felicidade no ecrã. O silêncio era espesso nas duas divisões da pequena casa.&lt;br /&gt;No relógio da parede eram quase dez horas da noite, uma chuva miudinha de inverno batia ao de leve no telhado de zinco. Tinha frio mas estava calor.&lt;br /&gt;Sabia que ele estava a chegar da taberna do fundo da rua. Sabia que ele entraria em casa, trôpego de vinho e não veria a mesa posta na cozinha com o jantar já frio à espera. &lt;br /&gt;Sabia que ele viria direito ao quarto com o cinto na mão e só iria parar quando estivesse cansado. &lt;br /&gt;Sabia que não iria gritar porque a luz dos seus olhos de apenas dois meses dormia em paz no berço mesmo ali ao lado.&lt;br /&gt;A porta da rua abriu-se num estrondo para se fechar logo a seguir. Um encontrão na mesa espalhou o jantar já frio pelo chão da cozinha.&lt;br /&gt;Quando a porta do quarto se abriu ela fechou os olhos com força e esperou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116639526512230494?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116639526512230494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116639526512230494' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116639526512230494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116639526512230494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2006/12/pequenos-holocaustos-2.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 2'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38041627.post-116605343806565386</id><published>2006-12-13T15:32:00.000-08:00</published><updated>2006-12-13T15:43:58.066-08:00</updated><title type='text'>PEQUENOS HOLOCAUSTOS 1</title><content type='html'>O menino tinha seis anos e queria ser soldado. Nunca tinha visto nenhum na vida, por isso quando à sua cidade chegaram centenas sentiu-se feliz.&lt;br /&gt;Passava o dia à janela a vê-los passar, as botas reluzentes, os capacetes, as espingardas, tudo era como se fosse um sonho ali tão perto. O menino nunca se cansava de olhar.&lt;br /&gt;Os soldados ficaram muito tempo, até que um dia vieram muitos ao seu bairro e carregaram toda a gente em camiões. O menino apertava a mão da mãe enquanto o seu coração quase saía do seu peito de excitação e felicidade. Sempre sonhara andar num daqueles camiões. Ali sentado imaginava-se de uniforme e de espingarda, ser soldado era o seu sonho.&lt;br /&gt;Nem mesmo quando todos se despiram e foram levados por um corredor frio, deixou de sorrir. &lt;br /&gt;Entraram para uma sala e fecharam-se umas portas pesadas, a mãe dissera-lhe que iriam tomar banho, mas ele acreditava no fundo do seu ser que estava ali para se tornar um soldado.&lt;br /&gt;Sentiu-se um cheiro terrível e as pessoas começaram a tossir e a gritar, só o menino orgulhosamente sorria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38041627-116605343806565386?l=pequenosholocaustos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/feeds/116605343806565386/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38041627&amp;postID=116605343806565386' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116605343806565386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38041627/posts/default/116605343806565386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenosholocaustos.blogspot.com/2006/12/pequenos-holocaustos-1.html' title='PEQUENOS HOLOCAUSTOS 1'/><author><name>Paulo de Oliveira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
